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quarta-feira, 23 de maio de 2018

Envolvente e Mercado Imobiliário Regional Centro


Envolvente e Mercado Imobiliário Regional

Na Região Centro de acordo com o AHP Tourism Monitors, em Setembro de 2017 há a registar o crescimento muito expressivo da taxa de ocupação, em variação homóloga, nos destinos Oeste (mais 9,5 p.p.), Alentejo (mais 7,7 p.p.) e Leiria/Fátima/Templários (mais 6,9 p.p.). No mês em foco, a taxa de ocupação quarto subiu 2,2 p.p., em comparação com Setembro de 2016, atingindo os 88%. Por destinos turísticos, cabe ao Porto (93%), à Madeira e a Lisboa (92%) a maior taxa de ocupação. O ARR fixou-se nos 101 euros, representando mais 15% do que no período homólogo. Os destinos turísticos Lisboa (mais 27%), Leiria/Fátima/Templários (mais 17%) e Costa Azul (mais 16%) registaram os maiores crescimentos neste indicador.

O RevPAR registou igualmente um crescimento expressivo de 18%, face ao mesmo mês do ano anterior, fixando-se nos 89 euros, com os destinos turísticos Lisboa (124 euros), Algarve (99 euros) e Estoril (93 euros) a registarem os valores de RevPar mais elevados. Em termos de variação, os destinos Oeste (mais 29%), Leiria/Fátima/Templários (mais 28%) e Lisboa (mais 26%) foram os que mais cresceram no mês de Setembro de 2017. Em Setembro de 2017, a receita média por turista no hotel obteve um aumento de 13% face a 2016, fixando-se nos 144 euros. Na análise por destinos turísticos, Lisboa foi novamente o destino que mais cresceu, com mais 28% face a setembro de 2016, seguido de Leiria/Fátima/Templários com mais 23% e de Coimbra com mais 21%.

A Associação da Hotelaria de Portugal, afirma “em termos de taxa de ocupação, estamos a assistir a um grande crescimento de destinos ‘menos maduros’ como o Oeste, Alentejo ou Leiria/Fátima/Templários e que este mês registaram subidas entre os sete e os 10 p.p. e fecharam o mês a rondar os 80%. Destaque também para o ARR, cuja subida acompanhou a maior procura, em todos os destinos. De assinalar, neste indicador, o destino turístico Lisboa com um crescimento de 28%. No RevPar, as grandes subidas verificaram-se em todas as categorias de hotéis e em todos os destinos, com destaque para o Oeste (29%) e Leiria/Fátima/Templários (28%)”.

Por outro lado, vendem-se cada vez mais imóveis. Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) são esclarecedores: no terceiro trimestre de 2017, o preço das casas aumentou 10,4% face ao período homólogo, tendo sido transacionados 38.783 alojamentos, o valor mais elevado de que há registo na série (iniciada em 2009) – e mais 23% que no mesmo período do ano passado. Segundo o INE, esta subida homóloga de preços de 10,4%, a mais elevada desde 2009, “foi essencialmente determinada pelo comportamento do preço dos alojamentos existentes, que aumentaram 11,5% em termos homólogos”. “Os preços dos alojamentos novos também cresceram de forma significativa, aumentando 6,9% face ao terceiro trimestre do ano anterior”, conclui o INE. De referir que em termos trimestrais, ou seja, entre o segundo e terceiro trimestres de 2017, comprar casa ficou 3,5% mais caro, com os preços dos alojamentos existentes a aumentarem 4,1% e os dos novos 1,7%.



De acordo com os dados do INE, a Área Metropolitana de Lisboa (AML), o Norte e o Centro “registaram máximos no número de vendas, reunindo as duas primeiras regiões cerca de 64% do total das transações realizadas no terceiro trimestre de 2017”. A região Centro superou pela primeira vez a fasquia das 7.000 transações. No caso da AML ultrapassaram-se, pelo segundo trimestre consecutivo, as 13.000 vendas (34% do total a nível nacional).

Tendências
Segundo os dados mais recentes do INE (Instituto Nacional de Estatística), a região do Centro de Portugal foi a que mais cresceu em todo o país na procura turística durante outubro, tendo sido registado um aumento de 20,4% no total de dormidas em hotelaria, em comparação com o mesmo mês de 2016. No próximo ano espera-se o nascimento de nove hotéis no Centro de Portugal.

domingo, 22 de março de 2015

VALOR DE MERCADO E PREÇO

O valor de mercado é definido como a quantia mais provável pela qual se negociaria voluntariamente e conscientemente um bem, numa data de referência, dentro das condições do mercado vigente.
Segundo Dantas (1998), o mercado imobiliário compõe-se de três elementos: os bens levados a mercado, as partes desejosas em vendê-los e as partes interessadas em adquiri-los.

Para Gonzalez (1996a e 1996b), as características próprias de imobilidade e a baixa elasticidade na produção e renovação dos bens imóveis fazem do mercado imobiliário um mercado claramente imperfeito. Dantas (1998) argumenta que, em relação aos participantes do mercado, compradores e vendedores, o mercado imobiliário é geralmente dominado por uma grande parte de agentes, investidores, empreendedores, que concorrem entre si, formando um oligopólio.


Estas características fazem com que os preços praticados num mercado sejam mais distantes do valor de mercado quanto mais oligopólico for o mercado. 

Valor de Mercado e Preço

O preço, segundo a Associação Brasileira De Normas Técnicas NBR 14653-1 (2001), é a quantia pela qual se efectua ou se propõe efectuar uma transacção envolvendo um bem, um fruto ou um direito sobre ele.

Segundo Dantas (1998), é comum confundir o valor de mercado com o preço de um bem imóvel. O preço pode ser inferior ou superior ao valor de mercado, dependendo de circunstâncias particulares da negociação, como a urgência do vendedor ou do comprador para realizar a transacção. Contudo, como os preços praticados pelo mercado podem estar ora abaixo ora acima do valor de mercado, na prática, estima-se o valor de mercado como a média dos preços.

O método comparativo de dados de mercado, usado prioritariamente na Engenharia de Avaliações, busca encontrar uma relação entre os preços que são praticados no mercado e as diversas características dos imóveis que determinam o valor dos mesmos.

Porém, esta relação não é determinística senão aleatória. Imóveis com características individuais semelhantes podem ter preços de venda diferentes por diversas razões. Portanto, para um mesmo elemento do domínio da função do valor, poderiam existir vários elementos da imagem da mesma, o que torna a relação entre os preços e as características influenciantes de carácter aleatório.

O valor de mercado pode ser considerado uma variável aleatória cuja estimação pontual é feita pela média dos preços praticados no mercado.

A condição fundamental para a aplicação do método comparativo de dados é a existência de um conjunto de elementos que possa ser tomado, estatisticamente, como uma amostra representativa do mercado.

A principal informação de referência ou base de comparação do valor de mercado dos imóveis é a dos preços de venda efectivamente realizados num determinado período de tempo e numa determinada região.

As ofertas de imóveis à venda também fazem parte da base de dados de comparação, porém, elas contêm um factor de diferença em relação ao eventual valor de venda no mercado, que é a margem de negociação embutida no preço de oferta. Toda a oferta inclui uma margem do valor sujeita a negociação que será explorada pelos eventuais interessados.

A literatura de Engenharia de Avaliações aponta a preferência pelo uso de dados de vendas reais em vez do  uso de ofertas, por serem considerados melhores indicadores do verdadeiro valor de mercado dos imóveis. No entanto, a falta de acesso a informações reais deste e a falta de confiança nos valores declarados nas transacções leva, na maioria dos casos, ao uso de dados de ofertas como massa de dados principal nas avaliações.

Os valores de ofertas podem ser considerados aproximações do valor de mercado dos imóveis, mas para isto deve ser considerada a margem de erro contida neste tipo de dados. As ofertas geralmente têm embutidas no seu valor duas possíveis fontes de diferença em relação ao valor de mercado. Uma delas é a estimação pelo vendedor do valor de mercado do imóvel; a outra é o valor adicionado na oferta como margem de negociação entre vendedor e comprador. Nenhuma destas duas possíveis fontes de diferença pode ser conhecida a priori pelo avaliador que utiliza esta informação de mercado como parte da sua amostra. Elas dependem de factores subjectivos como o grau de conhecimento do mercado e as expectativas do vendedor, a sua urgência em realizar a venda, entre outros factores. Um vendedor, necessitado de vender de forma rápida, colocará uma margem de negociação menor, para a oferta resultar mais atractiva face a outras. Um vendedor sem urgência na venda pode colocar uma margem maior, procurando maximizar o seu lucro.

Qualquer venda efectivamente realizada inclui uma negociação particular entre vendedor e comprador, onde também operam vários factores subjectivos. Desta negociação resultará o preço final da venda. Por esta razão, o preço de venda e o valor de mercado podem ser diferentes.

Apesar das possíveis diferenças entre o valor de oferta e o valor de mercado, na prática de avaliação imobiliária muitas vezes devem ser usados como fontes de informações os dados de oferta de imóveis como informação de referência do seu valor de mercado, devendo considerar-se e estimar também a margem média de negociação embutida no seu valor.

Os dados de oferta são uma fonte de informação pública e numerosa e que reflecte as tendências reais do mercado imobiliário.Pode dizer-se então que o preço de oferta de um imóvel é uma variável proxy do seu valor de mercado. 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A Qualidade Não é Mensurável em Valor de Mercado


“A Ideologia de Mercado é um advento da técnica” [Ortega y Gasset; em “A Rebelião das Massas”;1929] e a Qualidade o seu rendimento socializado, acrescentamos nós.

Tentaremos nas linhas seguintes explicar a  segunda metade da afirmação .

Admitindo-se que a Qualidade é função da Inovação e da Técnica e que o Valor de Mercado função do Rendimento disponível e do próprio Mercado , da produtividade admite-se que faz variar o ritmo de uma e outra, das duas funções, numa ordem directa e proporcional.

Por outras palavras, num sistema económico ou até só dentro de uma empresa com uma repartição justa da riqueza gerada, o investimento técnico na inovação e na melhoria da Qualidade, consequente com uma melhoria da produtividade, faz aumentar o rendimento familiar disponível de quem lá trabalha, obtido na desejável repartição da riqueza gerada.

Essa disponibilidade financeira do rendimento, (traduzindo-se em maior procura de bens de consumo) faz aumentar o valor de mercado, no limite dos próprios produtos ali fabricados. Por essa via os ganhos industriais da função qualidade, são anulados pelos  custos de mercado, da função valor. O que verdadeiramente resta desta soma é a Qualidade.

Quando, estas funções não estão integradas , não há verdadeiramente Mercado para a Qualidade, ou melhor dizendo, não há rendimento nem valor para a Qualidade.

Nestas circunstâncias a Qualidade, que é sempre uma forma de diferenciação no mercado, tem os custos  anulados tão somente pelos ganhos de produtividade.Ainda assim continua a ser uma soma de Qualidade.

Com ou sem rendimentos provenientes dos ganhos de produtividade, a Qualidade, alicerçada na necessidade de diferenciação, é sempre verdadeiramente um  beneficio ou rendimento social, proporcionado pelo Mercado e pela técnica.

Há ainda  outros conceitos comummente aceites que ajudam a corroborar esta ideia de que a Qualidade não é mensurável em valor de mercado, como sejam:

1. Haver uma grande percentagem de qualidade não percepcionada pelo mercado, particularmente em aspectos tecnológicos de maior modernidade.
2. Haver uma outra  percentagem de qualidade  consolidada como exigência do mercado. 
3. Haver em cada época e momento uma padronização da Qualidade, resultante da interacção dos diferentes agentes da produção e do mercado imobiliário. 
4. A tendência crescente de qualidade no imobiliário, ser determinada pela necessidade de diferenciação, mas sempre com custos necessariamente limitados ao valor característico de cada mercado e época. 
5. É o valor,capital disponível, orçamento possível, ou cotação de mercado, que determina o nível de qualidade a incorporar  no imobiliário e não o inverso.

Isto é particularmente vivido em execução de projectos de obras de excepção.

Concluindo : 
Torna-se difícil, senão impossível a quantificação do valor da Qualidade, no mercado de habitação, ao nível da grande produção padronizada que em cada época faz o grosso das cidades.

Resultados encontrados na análise de regressão, para um segmento homogéneo de mercado dentro do Parque das Nações e apesar de acentuadas diferenciações no valor de utilização, a expressar  aspectos tecnológicos diferenciados observados nos diversos edifícios, a Qualidade não revelou uma correspondente correlação com o valor de mercado, quedando-se por uma afectação próxima dos 8,00%.

Resultados para a Vila de Nazaré  sobre a totalidade da área urbana onde independentemente de considerações sobre valor de utilização ou Qualidade, as variáveis propostas explicam 96,49% do valor de Mercado.

Se dúvida houvesse no resultado da análise feita no Parque das Nações em Lisboa quanto à baixa (ou quase nula) percentagem em que a Qualidade se correlaciona com o valor de mercado, o poder explicativo do modelo encontrado para a Nazaré torna inequívoca essa escusada, senão errónea,  consideração da Qualidade.

Atente-se ainda ao facto não menos importante, de  nestas amostras terem sido considerados imóveis com vinte e mais anos em paralelo com edificações novas, tendo bastado para a homogeneização de todos os dados a consideração prévia da capitalização seguida da vetustez.

Este  tratamento da amostra, prévio às análises de regressão, relativamente à capitalização e vetustez  integrou todos os dados como relacionáveis e de valor explicado pela regressão, apesar das acentuadas diferenças de idade e consequentes diferenças no padrão de qualidade.


É sabido que a   “ A qualidade é a adequação do produto ao seu uso” atrever-nos-emos aqui a substituir o “uso”,  pelo “mercado”, porque é disso que falamos quando se fala de valor.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

MAIS RENDAS, MENOS VENDAS

O mercado de arrendamento de habitações em Portugal continua em alta face ao mercado      de compra e venda. Segundo dados avançados pelo  Confidencial Imobiliário,  agosto não foi diferente de meses   anteriores e    as vendas  continuam a perder para os arrendamentos.


O ritmo de procura de casas para arrendar foi mais reduzido em agosto, mas as expectativas continuam positivas. Segundo o Confidencial imobiliário, este mercado continua a beneficiar das quebras nas vendas e pela limitação no acesso ao crédito para a compra de casa, restrição essa que leva as famílias a optar, muitas vezes, pelo arrendamento.

O valor pago pelas famílias tem contudo diminuído e as expectativas quanto à sua evolução são negativas - motivado pela grande oferta do mercado e menos rendimentos disponíveis.

Quanto à compra e venda de habitações, a palavra utilizada pelo Portuguese Housing Market Survey é fragilidade. Tanto as expectativas como a própria atividade se mantêm pouco consistentes, com os preços a cairem bem como o número de transações. 

domingo, 16 de setembro de 2012

IMOBILIÁRIO PORTUGUÊS À VENDA EM PARIS


A crise  do imobiliário em Portugal pode ser um bom negócio em Fraança. A 1ª Feira do Imobiliário Português em Paris acontece este fim-de-semana, organizada pela Câmara do Comércio e da Indústria Franco-Portuguesa (CCIFP), iniciativa inédita em França. Os grupos económicos portugueses têm novas oportunidades de vendas , "O país tem uma maioria de proprietários, cerca de 80%, mas neste contexto difícil muitos bens imobiliários são colocados à venda no mercado (...), uma oportunidade para investidores franceses" esclarece a página facebook do evento.

Aqui:  http://www.facebook.com/events/110262892451875/

A página também insiste várias vezes na competitividade dos preços baixos, e refere o interesse do negócio para quem tem 3 vezes mais poder de compra em relação a Portugal.

Uma oportunidade para os consumidores franceses e luso-descendentes e uma oportunidade/necessidade para os Bancos. Esta feira junta 90 entidades, a maioria bancos portugueses e agências imobiliárias.Os Bancos tentam agora vender as habitações que a indústria de construção civil não conseguiu colocar no mercado. Reproduzimos a seguir a noticía.

NOUVEAU SALON PORTE DE VERSAILLES
1ère édition du Salon de l'Immobilier Portugais à Paris
du 14 au 16 septembre 2012

Paris, le 10 juillet 2012 - La Chambre de Commerce de d’Industrie Franco-Portugaise (CCIFP) organise pour la première fois en France le Salon de l’Immobilier portugais à Paris (SIPP) les 14, 15 et 16 septembre prochains, au Parc des Expositions de la Porte de Versailles.

Une initiative de la CCIFP en faveur du secteur immobilier
Depuis sa création en juillet 2006, la CCIFP a pour mission de promouvoir les affaires entre le Portugal et la France en aidant les entreprises engagées dans le commerce bilatéral à accéder aux services, aux conseils et contacts adaptés à leurs besoins.
Dans un contexte économique difficile, la CCIFP a évalué les différents secteurs prometteurs pour l’investissement au Portugal. Les résultats ont démontré que leurs efforts devaient avant tout se concentrer sur le Tourisme, les hautes technologies, la mer et ses produits dérivés, la santé et l’immobilier.
Le secteur de l’immobilier est en crise mais, contrairement à son voisin l’Espagne, la bulle spéculative n’a pas sa place au Portugal.
Le pays compte une majorité de propriétaires, près de 80%, mais, dans ce contexte difficile, de nombreux biens immobiliers sont mis en vente sur le marché.
Afin de faciliter la présentation de ces opportunités aux investisseurs français, la CCIFP organise à Paris en septembre prochain la première édition d’un salon dédié à l’immobilier portugais.

Faciliter l’échange et valoriser les opportunités
Des partenaires importants ont déjà confirmé leur participation telles que les banques Banque BCP, BESV, Montepio, Caixa Geral de Depósitos, les assurances Fidelidade Mundial, les promoteurs Paço, Libertas, Wallis, mais aussi les institutions : l’Ambassade du Portugal, l’AICEP Portugal Global, Turismo de Portugal, AIP, SIL.
Ces opportunités seront présentées par région et par type de projets facilitant la visite et le choix des investisseurs potentiels. Les exposants – tous francophones – participeront également à une série de conférences et de séminaires qui permettront de développer les avantages fiscaux et financiers, de présenter les projets en détail mais aussi les régions portugaises et leurs atouts. De Lisbonne à l’Algarve en passant par la Vallée du Douro, de nombreuses occasions s’offrent aux investisseurs français, particuliers ou professionnels, seniors à la recherche d’une nouvelle résidence principale ou famille en quête d’un pied à terre pour les vacances.

Les avantages pour les investisseurs
• 320 jours de soleil par an
• La proximité de la France : 30 vols quotidiens au départ des principales villes de France
• La garantie de la sécurité, d'excellentes infrastructures de santé, connectivité…
• Le pays est membre de la Communauté Européenne : la monnaie est donc l'euro
• Un pouvoir d'achat multiplié par 3 pour les séniors français s'installant au Portugal
• La grande qualité des biens immobiliers proposés à prix cassés
• La richesse de la culture, du patrimoine, et de la gastronomie



7 bonnes raisons de visiter le salon
• C’est la 1ère édition du Salon de l’Immobilier Portugais à Paris !
• Les exposants parlent tous français
• Une offre adaptée aux particuliers pour des résidences principales ou secondaires
• Des opportunités pour investir dans la pierre à des prix très compétitifs pour des biens neufs ou anciens.
• A titre d’exemple: une villa standard achetée 520 000€ en 2010 a été mise en vente à 280 000 EUR en 2011
• Les projets seront présentés en images et en vidéos
• Des informations sur les moyens de financement sont également mises à disposition: des banques portugaises, implantées en France peuvent, grâce à leur siège au Portugal, proposer des modalités de financement sans contrainte pour l’acheteur d’être à l’étranger.
• La mise en place de forfaits, en partenariat avec des compagnies aériennes, facilitera le voyage des futurs investisseurs au Portugal, afin de visiter leur nouvelle acquisition et la région alentour.
• La présence de l’office de tourisme du Portugal et des différentes régions portugaises permettront d'avoir une meilleure connaissance du pays.


www.sipp.ccifp.fr

sexta-feira, 25 de maio de 2012

QUEBRA DE 4% NO MERCADO IMOBILIÁRIO NACIONAL






“.O mercado imobiliário em 2011 teve uma quebra estimada de 400 pontos base face a 2010, situando-se nos 0,46%, face aos 4,26% conseguidos em 2010”. 


Estes são dados do índice Investment Property Databank (IPD) – um índice que analisa o retorno do investimento institucional directo em activos imobiliários, assumindo-se como uma ferramenta de benchmarking ao nível dos principais mercados mundiais, “cujo portfólio se estima representar cerca de 65% do mercado de investimento imobiliário nacional”.


A Cushman & Wakefield (C&W) produz o Business Briefing – Análise IPD 2011, que por sua  vez analisa os resultados deste índice em 2011 à luz da actual conjuntura económica e do enquadramento do mercado imobiliário, concluindo sobre o comportamento do sector em 2011 e traçando expectativas sobre a sua evolução futura.


De acordo com uma nota de imprensa da consultora “o sector de retalho protagonizou o pior resultado do ano, sendo o único com retorno global negativo, (-1,62%), quando em 2010 teve uma rentabilidade próxima dos 4%”.

Quanto aos activos de escritórios no portfólio IPD, “foram os segundos mais afeCtados em termos de desempenho, registando um retorno total de 2,38%, face aos cerca de 3,5% conseguidos em 2010”.

Já o sector industrial “teve um desempenho semelhante ao verificado para o sector de escritórios, atingindo um retorno total de 2,31%, mas registou a segunda maior quebra do portfólio, comparando com uma rentabilidade em 2010 de 6,2%”.

A categoria de “outros activos”, que engloba os imóveis residenciais do portfólio, e de outros sectores como a hotelaria, parques de estacionamento ou equipamentos, “teve o desempenho mais favorável de todo o portfólio, com um retorno total de 3,71%, representando ainda assim uma quebra face a 2010, ano em que registou uma performance positiva de 5,48%”.



segunda-feira, 14 de maio de 2012

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PROPRIETÁRIOS


António Frias Marques. “Há 800 mil casas para venda em Portugal e 65 mil para arrendar”
A câmara é o maior senhorio de Lisboa. “Muito património foi subtraído aos legítimos proprietários de forma pouco clara”

António Frias MarquesA Associação Nacional de Proprietários (ANP) representa cerca de 10 mil senhorios, sensivelmente metade no Norte e metade no Sul, a maioria pequenos proprietários, com uma média de seis inquilinos. Há associados donos de prédios, de ruas inteiras e até de quarteirões, mas também aqueles que são apenas donos do andar que habitam. A grande fatia são mulheres. É que há muitos anos atrás os prédios eram deixados às filhas ou viúvas. Mas desde esse tempo para cá muita coisa mudou e hoje, na Europa, apenas Espanha tem mais proprietários de imóveis que Portugal. António Manuel Frias, presidente da associação, fala de colapso e subversão das regras do mercado. Há 800 mil casas para venda no país, cerca de 65 mil para arrendar, mas não há garantias. O governo quer legislar sobre o tema mas não aceitou nenhuma das sugestões propostas porque interesses mais altos se levantam.

Qual a pergunta mais frequente feita à ANP nos tempos que correm?
As pessoas perguntam um bocado de tudo. O último telefonema foi de uma senhoria que quer despejar o inquilino que não paga renda há seis meses.

A avaliação de imóveis em curso vai trazer grandes alterações em termos de IMI - Imposto Municipal sobre Imóveis...
O IMI é um imposto que consideramos absurdo. É uma invenção da ministra das Finanças [Manuela Ferreira Leite], em 2003, que não incide nem sobre rendimentos, nem sobre consumo. Uma novidade. Interrogamo-nos sobre porque havemos de pagar sobre uma coisa que não rende, antes pelo contrário, só dá despesa.

As reavaliações, em muitos casos, trazem aumentos superiores a cinco vezes. Concorda?
Para explicar o inexplicável, arranjaram uma fórmula completamente enviesada e absurda, em que entram uma série de factores, entre eles o preço por metro quadrado, que é neste momento de 603 euros. Quando começou, em 2004, era de 600 euros e chegou a atingir um pico máximo de 615 euros, por volta de 2006.

Com que base foi fixado esse valor?
Estávamos numa época em que as pessoas que fazem as leis julgavam que as árvores cresciam até ao céu. Comprava--se um apartamento por 50 mil euros – se pedissem 60 mil também davam –, e o banco até lhe dizia para levar mais dez mil para comprar a mobília. Só que em 2008 as Finanças tiveram de baixar o preço do metro quadrado, que está hoje muito perto do valor inicial.

E agora está tudo aflito para pagar o que deve...
Hoje estamos a assistir ao absurdo em que o valor do imobiliário está em queda livre – porque o imobiliário vale zero, não há compradores –, e os valores patrimoniais e fiscais que estão a ser encontrados estão muito acima do hipotético valor real do andar. Ou seja, estou a pagar mais por uma coisa que não vale nada. A avaliação que está a ser feita, e que tinha dez anos para ser feita, ao que parece vai estar concluída no prazo previsto, que é 2013, com um bocado de sangue pelo caminho.

Quantas casas estão à venda em Portugal?
Há 800 mil casas à venda em Portugal. Nas quais ninguém pega, nem sequer há telefonemas a perguntar. Nada! Como é que as Finanças, num momento em que este sector está colapsado, têm o atrevimento de estar a valorizar imóveis com uma fórmula pretensamente científica que permite chegar a estes valores?

As pessoas já começaram a receber as notificações com os resultados das avaliações. O que pensa a ANP sobre os valores?
As notificações que estão a enviar são feitas de uma forma capciosa, para as pessoas não entrarem em revolta como estão a fazer, por exemplo, na Irlanda, onde se recusaram a pagar o imposto especial sobre o imobiliário, de 100 euros por casa. Em Portugal, as pessoas recebem uma notificação que diz qual é o valor patrimonial do imóvel mas abstêm-se de dizer quanto é que ela vai pagar de IMI em 2013, só fazendo as contas. E as pessoas, às vezes, custa-lhes fazer contas. Para nós, e para as coisas serem clarinhas e esclarecedoras, se o imóvel tem um valor patrimonial de 50 mil euros é dizer que para o ano o valor a pagar é 250 euros, aplicando a taxa máxima.

Todas as câmaras aplicam a taxa máxima?
Quase todas as câmaras aplicam a taxa máxima. Em Lisboa, a taxa máxima que agora é de 0,7, eles cobram 0,675, tiram uns pozinhos, para dizer que são bonzinhos. Mas as necessidades de financiamento da câmaras são muitas e as grandes fontes de receita, que eram as licenças de construção e o IMT - Imposto Municipal de Transmissões, estão em quebra, pelo que sobra o IMI, que é o que vai servir para pagar as estruturas camarárias. É preciso ver que antes do 25 de Abril uma câmara de uma cidade de província tinha 100 empregados e até se justificava: os cantoneiros, os jardineiros, um engenheiro… Hoje tem 2 mil empregados. Em muitos concelhos do país as câmaras são o principal empregador, ora há aqui qualquer coisa que está mal. Só a câmara de Lisboa tem mais de 500 arquitectos: arquitectos de primeira, de segunda, de terceira, mais assistentes administrativos, etc…

O que fazem exactamente essas pessoas?
Essa gente complica a vida ao cidadão comum. As coisas estão simplificadas e eles estão lá para complicar.

As pessoas já perceberam que vão ter de pagar muito mais IMI?
Não. Quando interiorizarem vão cair para o lado. Nós temos um inquérito permanente aos nossos associados para monitorizar a média dos aumentos e posso dizer-lhe que quando o valor patrimonial passa para o triplo a pessoa pode dar-se por muito satisfeita, porque quer dizer que vai pagar cerca do dobro do IMI. Mas estamos a assistir a casos em que o IMI aumenta vinte vezes.

Mas havia uma grande disparidade entre os valores pagos por espaços idênticos, às vezes no mesmo prédio...
Bem sei que havia coisas muito antigas sem avaliação e com valores ridículos. O que a ANP propôs foi que os que estavam a pagar muito descessem e que os que estavam a pagar pouco subissem, para isto ficar equilibrado. Mas isto não vai ficar equilibrado. O que vai acontecer é que os que estavam a pagar muito levam com a moca e ficam a pagar mais 25%, porque a taxa passou de 0,4 para 0,5. É muito dinheiro. As expectativas dos que já estavam avaliados goraram--se.... E não havia necessidade de vir por aqui.

O equilíbrio nesta matéria era uma das recomendações da troika e vem no Memorando assinado por Portugal...
A forma como o processo está a ser conduzido faz com que isto seja uma carta fechada, o Ministério das Finanças não sabe quanto é que o IMI vai aumentar. Isto vai ser um bolo incrível. A troika, no Memorando de entendimento, diz que o imposto sobre o património devia aumentar 150 milhões de euros em 2013, ou seja, entre 10% a 15% – sabemos que no ano anterior o imposto foi à volta de 1,1 milhões de euros. Com os aumentos que aí vêm, isto está a ir muito além da troika. Ninguém sabe onde isto vai parar.

O governo também quer aumentar a percentagem do IMI que fica para a administração central, que é retida pelo serviço prestado da cobrança. Concorda?
Por causa disso, há até um movimento para que a cobrança seja feita pelas câmaras. Mas esta é outra novidade. É um imposto municipal mas há uma fatia que é para o governo central. E isto também foi uma forma de o governo pôr o contribuinte a financiar as câmaras, numa altura em que lhes cortou verbas.

No caso de uma casa estar devoluta, a taxa de IMI é ainda mais elevada. Isto é para forçar o arrendamento e a conservação?
Isso é outra coisa que nos põe o cabelo em pé, o pagamento a triplicar para as casas que estão devolutas - e para isso basta não haver consumo de água ou de electricidade. Isto está previsto na lei. O que acontece hoje é que, nomeadamente nas unidades destinadas a comércio, serviços ou indústria, há ruas inteiras vazias. Isto foi feito numa perspectiva de que os proprietários são uns malandros e têm as casas vazias porque querem, porque gostam.

E são?
Não se trata de nada disso. Em Portugal, neste momento, é impossível alugar uma loja. E numa altura em que é impossível alugar uma loja porque a actividade económica está paralisada – e  pode pôr os anúncios que quiser, pode baixar a renda que quiser –, aumenta-se os encargos dos proprietários.

Ruas inteiras vazias em sentido figurado ou de facto?
Há ruas inteiras! A Rua da Boavista, em Lisboa. A Rua de Santa Catarina, que é uma das principais ruas do Porto. De Gonçalo Cristóvão até ao Marquês as lojas estão todas vazias e é uma rua de primeira. A própria rua de Santo António, que agora se chama 31 de Janeiro, está cheia de lojas. Há centros comerciais cheios de lojas vazias, o que era impensável, até naves industriais.

E os senhorios e inquilinos têm negociado a baixa de rendas, por exemplo?
A maior parte dos arrendatários tem pedido para baixar as rendas, até para metade. Há comerciantes que estavam a pagar 2 mil euros – que houve uma altura em que as rendas estiveram um bocado elevadas –, a passar para mil. Perguntam-me: devo ceder? Claro, pelo amor de Deus não deixe o arrendatário ir embora. As câmaras têm brigadas – são estes os empregos jovens que arranjam –, a fazer levantamentos pelas ruas fora: procuram casas devolutas, assentam e depois os proprietários são notificados. A sua casa vai passar a triplicar. Já estão a fazê--lo em Lisboa, mas até foi no Porto que começou mais assanhado.

Um dos objectivos era, além de equilibrar os valores do IMI, estimular o mercado de arrendamento. Mas as rendas não baixam...
Hoje não se aluga nada. A época dos anúncios no Diário de Notícias já passou. Agora, e quando funciona, é no Correio da Manhã e no JN. Alugaram-se muitas lojinhas pequeninas para o negócio do ouro, mas isso é um negócio sazonal, dura um ano. Há a perspectiva de quem faz as leis de que o proprietário tem de ser castigado, é um malandro. Quem juntou dinheiro devia tê-lo gastado em cruzeiros, em safaris, a matar elefantes em África… O proprietário é a pessoa que conseguiu juntar, poupar, para comprar. Também há vidas de trabalho e de pessoas que se privaram, tiveram uma vida de renúncia, como se dizia antes, para ter qualquer coisa sua têm de ser acarinhadas, não têm de estar sempre a levar por tabela. Nesta história do IMI há muitas pontas que estão mal.

Está a falar-me em arrendamento comercial. Mas no caso do arrendamento habitacional?
Nos casos da habitação há muitas casas que estão devolutas em zonas históricas das cidades mas que vêm de contratos de dezenas e dezenas de anos em que o inquilino, quando foi embora ou morreu, deixou a casa num estado de pós-guerra civil. Estiveram ocupadas 50, 60 ou mais anos e não houve manutenção, porque as rendas eram irrisórias e não permitiam obras. E não se mete lá ninguém. Não há o perigo, sequer, de serem ocupadas por indigentes. E o proprietário está descapitalizado. Há até muitos proprietários que nem querem que os inquilinos morram tão depressa, porque não têm dinheiro para fazer as obras. Num prédio, se morrem dois de rajada  não há dinheiro para arranjar os dois apartamentos. Esta situação de rendas baixinhas propiciou e potenciou ódios de parte a parte. Eu tenho vários inquilinos e os que gostam menos de mim e me odeiam são aqueles que, provavelmente, pagam rendas de 50 euros. Os que pagam rendas de 600 euros têm um relacionamento às vezes até agradável.

Mas, como lhe disse, um dos objectivos era criar um mercado de arrendamento. Agora se as rendas pagas aos senhorios são iguais às rendas pagas ao banco, não muda nada. Isso vai mudar?
O grande handicap é que há casas para alugar, mas as rendas poderão não estar ao alcance de todas as bolsas. O que se verificou e se está a verificar é que uma parte muito considerável dos nossos concidadãos tem, realmente, rendimentos muito baixinhos. Isto pode ter estado camuflado durante dezenas de anos, mas agora veio tudo ao de cima. É uma vergonha – e eu já disse isso na Assembleia da República –, que passados estes anos do 25 de Abril haja pessoas que sobrevivam com pensões de duzentos e tal euros. Podiam limpar as mãos à parede, com a falta de condições que as pessoas têm. Uma pessoa que tenha uma pensão de sobrevivência – e há muita gente nessas circunstâncias , nem sequer tem 50 euros para pagar de renda e, com a nova lei, vai ter de pagar mais do que isso.

A ANP lutou por rendas mínimas de 50 euros...
Durante anos lutámos por que houvesse uma renda de 50 euros, porque há rendas de cinco euros e menos. E devo dizer que quem habituou mal os inquilinos foram desde logo as câmaras, porque a maior parte dos inquilinos da Câmara Municipal de Lisboa paga rendas inferiores a 50 euros. E algumas nem sequer são em bairros camarários, porque a câmara de Lisboa, tal como a do Porto, tem muito património disperso. Há pessoas que podem morar nesta rua [D. Pedro V, em Lisboa] sem pagar por isso. Está claro que é preciso ter conhecimentos dentro da câmara…

Mas tirando esses casos, não há casas para alugar por cinquenta euros...
O que acontece é que para haver mercado de arrendamento teríamos de ter pessoas com dinheiro para alugar uma casa. E quando chega a altura, aparecem candidatos mas muitos não têm garantias nem para alugar um quarto, quanto mais uma casa. Se peço uma renda de 500 euros em Lisboa é em conta. Mas se o ordenado do candidato é de 485 euros… Não é possível.

Que garantias são exigidas a quem quer alugar casa?
Não aconselhamos ninguém a alugar uma casa a um agregado familiar que não tenha um rendimento mensal de pelo menos o triplo do valor da renda. Isto significa que se a pessoa tem um rendimento e 900 euros por mês nunca pode pagar, no limite dos limites, mais de 300 euros de renda. Se não, vai haver chatice. Não há milagres, a pessoa tem de comer, tem de se vestir, tem de se transportar…

Foram essas contas que a banca não fez?
Foi o que aconteceu com a compra de andares. Como é que pessoas com ordenados baixíssimos fizeram esse negócio, sem rendimento, sem trabalho, sem activos, como é que se faz? Como é que os bancos venderam andares a estas pessoas é que me pergunto.

As condições também se foram degradando…
Mas era expectável. Tudo a endividar-se… Esta bebedeira durou 20 anos. Houve aqui uma ilusão colectiva. E quem está a ter problemas agora não é quem entrega a casa ao banco – e ainda há bancos que querem receber dinheiro além disso –, são os fiadores. Muitas vezes os fiadores eram os pais, que tinham uma casinha e que vão ficar sem ela. Isso é que é dramático. Tem de ser casa entregue, dívida saldada. Não adianta estar a abanar a pessoa. Para quê, se a pessoa não tem? Ao menos que ganhe fôlego para poder começar.

Os bancos sobreavaliaram as casas que venderam?
Houve muitas trafulhices. Nós dizemos o banco, mas o banco nunca tem rosto. Há avaliadores que chegavam ao prédio e sobreavaliavam para que o banco desse mais dinheiro e eles metessem algum ao bolso. Isto, como dizem agora, são as imparidades. Foram vinte anos, de 1988 a 2008. Muitas pessoas estão a entregar as casas ao banco porque se aperceberam que o banco lhes vendeu casas por 100 mil euros, quando agora está a vender por 50 mil. Então, mais vale voltar ao mercado para comprar mais barato.

Mas que propostas tem a ANP para mudar a situação?
Fomos à Assembleia da República e apresentámos propostas, porque ninguém sabe onde há-de meter estas questões do arrendamento – já passou pelos ministérios quase todos, só ainda não esteve na Saúde. Esteve na Administração Interna, no Ambiente, na Economia e, agora, na Agricultura. A nossa proposta para corrigir as rendas era utilizar o índice de desvalorização da moeda publicado pelo Ministério das Finanças. De há quarenta anos para cá a moeda desvalorizou 50 vezes. Então, um contrato feito com uma renda de 5 euros vezes o factor de desvalorização dá 250 euros nos dias de hoje. Esta seria a renda equivalente. Como as pessoas hoje também já não estão a pagar 5 euros, pagam uma média de 50 euros, teriam ainda um prazo de três anos para se adaptar. Fomos até mais conservadores do que a lei, que não prevê um período de adaptação aos novos valores e o inquilino pode ser posto perante uma renda muito exagerada.

Mas o que está em causa são os valores das casas...
Lamentamos. A casa tem um dado valor, a partir do momento em que se mete aqui o valor do rendimento do inquilino ou do agregado familiar, está tudo aboborado. Se é assim, também deviam pôr a Segurança Social a pagar um subsídio de renda. Mas o governo já veio dizer que não há dinheiro. Portanto, o senhorio será a Segurança Social.

Na sua perspectiva os senhorios sempre agiram bem?
Há muitos anos, em todas as ruas do país havia andaimes para fazer a conservação dos edifícios. Porque havia uma lógica entre o rendimento e a conservação. Porque não tenhamos ilusões: quem tem de pagar a manutenção do apartamento é o inquilino, não é o senhorio. Não há omeletes sem ovos. A partir do momento em que se congelaram as rendas deixou de ser possível fazer obras, porque os empreiteiros esqueceram-se de congelar os seus orçamentos.

Qual é o valor médio das rendas em Lisboa e no Porto, por exemplo?
Depende do tamanho e da zona. No Porto, a zona mais barata, que é Campanhã, Bonfim até à freguesia de Cedofeita, Vitória, as rendas são mais baratas. As Antas ou Foz são zonas mais caras. Uma casa de 100 metros quadrados na Rua da Constituição pode valer 500 euros. Em Lisboa são um bocadinho mais caras, mas na zona da Almirante Reis, por exemplo, anda à volta dos 600 euros.

Portugal está longe de uma bolha imobiliária?
Sim. Os espanhóis têm cinco milhões de casas para vender mas são 40 milhões de habitantes. Nós temos 800 mil e destas talvez metade sejam novas. Para arrendar em Lisboa cerca de 40 mil e no Porto 25 mil. Em Lisboa há 135 mil agregados interessados em arrendar, quase o triplo. Mas só 5 mil dão garantias. Por outro lado, a Câmara é o maior senhorio de Lisboa.

Quantos inquilinos tem?
33 mil. Há dois tipos de casas, os bairros sociais, onde ninguém quer morar, e o património disperso, que foi parar às mãos da câmara porque foi subtraído aos legítimos proprietários. Não há uma rua em Lisboa em que um prédio, pelo menos, não seja propriedade da câmara. Eu, se tiver um prédio, sou intimado a fazer obras. A câmara arranja empreiteiros com orçamentos imensos, uma coisa que provavelmente custa 10 mil euros faz-se por 100 mil, que eu jamais poderei pagar, e aquilo fica para venda. Milhares de imóveis foram parar à Câmara Municipal de Lisboa por este processo. Mas depois, nas mãos da câmara, já pode estar ao abandono.

Fonte:http://www.ionline.pt/dinheiro/antonio-frias-marques-ha-800-mil-casas-venda-portugal-65-mil-arrendar