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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

SEGMENTAÇÃO DE MERCADO

A segmentação usa sempre a pesquisa de mercado como ferramenta de selecção. Assim, é possível que se identifique, a partir de uma série de critérios, diferentes segmentos.

Dias (2004) afirma que, dado que a segmentação de mercado é fundamental para o desenvolvimento de estratégias, quanto mais se investir na pesquisa para o processo de segmentação, melhores os resultados operacionais obtidos.


Serão listados agora alguns dos principais critérios utilizados para a segmentação de mercado, embora seja importante lembrar que existem diversos critérios que podem ser utilizados, de acordo com as necessidades de cada organização.


SEGMENTAÇÃO DEMOGRÁFICA

A demografia estuda estatisticamente as populações e suas características. Assim, a segmentação demográfica significa dividir os mercados com base nestas características da população (DIAS, 2004). Algumas destas variáveis podem ser: faixa etária, sexo, tamanho médio das famílias, estado civil, nacionalidade, religião, raça, entre outras. Devido principalmente à pesquisa do Censo´s, realizada pelo Instituto Nacional de Estatística grande parte destas informações e sua quantificação pode ser aí obtida.


SEGMENTAÇÃO SOCIOECONÓMICA

A segmentação socioeconomica é a divisão do mercado em características sociais e economicas da população. O objectivo é identificar variáveis como: classe social, rendimento, escolaridade, profissão, posses de bens (veículos, imóveis), entre outros (DIAS, 2004).


SEGMENTAÇÃO GEOGRÁFICA

Para Dias (2004), não há como se realizar um bom trabalho de segmentação de mercado, se não se considerar o critério geográfico. Segundo Weiss (1988) citado por Dias (2004), “o lugar em que se vive determina a maneira como se vive. Conhecendo onde e como as pessoas vivem, fica mais fácil atender às suas necessidades, com mais chance de sucesso nessa empreitada”. Para Dias (2004), o local onde as pessoas moram, trabalham ou passam as férias tem grande impacto sobre seu comportamento de compras.Os critérios da segmentação geográfica podem ser: Países, Estados, Bairros, Cp´s e até Ruas.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

PRODUTO IMOBILIÁRIO

De acordo com James Graaskamp (1974), a primeira propriedade imobiliária foi criada na pré-história quando o Homem rolou a primeira pedra a servir de porta à sua caverna, dando-lhe assim características de conforto segurança e privacidade. Para este autor, uma propriedade imobiliária é um elemento produzido artificialmente, com uma dimensão temporal institucionalizada - metro quadrado por ano, quarto por noite, caverna por lua,..

Na verdade o imobiliário está presente na vida de todos nós, diária e constantemente.

Quando nascemos, porque terá sido em casa, num hospital ou numa clínica, nascemos utilizando um aproveitamento do terreno criando um espaço - um bem de imobiliário. Porque crescemos, provavelmente primeiro em casa e depois numa escola, utilizando um bem imobiliário. Porque quando visitamos amigos, os visitamos nas casas deles. Porque quando estudamos, utilizamos, mais uma vez, um bem de imobiliário. Porque quando chegou a altura de trabalhar, de ganhar a vida, o vamos fazer directa ou indirectamente tendo em conta o imobiliário - ou porque vamos para um escritório, para uma escola, para uma fábrica, para uma loja, para o campo tratar de culturas, para um museu, para um hospital, ou simplesmente porque quando o dia acaba e precisamos descansar para recomeçar no dia seguinte, vamos para uma casa, um hotel.

Melhor dizendo talvez, consumimos imobiliário ao longo de toda a nossa vida. Consumimos porque, de facto, nem sempre transaccionamos esses bens mas apenas os fruímos, ou utilizamos. E se os transa­ cionamos, somos todos nós que criamos esse lugar de trocas, já não em praça pública, mas muitas vezes apenas através dos computadores, onde compramos e vendemos. Ou seja, criamos o mercado imobiliário. Directa e indirectamente. Consciente e inconscientemente. Porque temos uma necessidade de um determinado espaço, com determinadas características, que outros na maior parte dos casos, vão conceber para nós. E ao procurarmos satisfazer essa necessidade estamos a actuar no mercado imobiliário constituindo a 'procura'. Assim, todos nós criamos o mercado.


Mas para que haja produto para satisfazer a 'procura' há que o produzir. Os promotores imobiliários ao conceberem e produzirem produtos imobiliários estão a constituir a 'oferta'. Mas ao serem responsáveis pela criação do imobiliário, esses mesmos promotores necessitam de quem invista, de quem crie o “Produto Imobiliário” – os consultores imobiliários - de quem desenhe o 'produto imobiliário' - os arquitectos - de quem o projecte - os engenheiros _ de quem o construa - os construtores - de quem o fiscalize durante a construção - os fiscais de obra. Necessita ainda que o que se promove esteja de acordo com a legislação em termos urbanísticos - na forma como vai ocupar o espaço, como o vai tornar funcional e como o vai dotar de conforto. E depois do tal “produto imobiliário” estar criado, há ainda que disciplinar a sua posse e utilização. E aí entram neste ciclo de produção os advogados, os mediadores, os investidores intermédios (como os fundos de investimento imobiliário, os fundos de pensões, etc., ou apenas investidores individuais) e ainda os bancos que vão ajudar aqueles que querem comprar, a antecipar a altura em que o fazem, emprestando dinheiro.

E por fim, quando tudo parece estar terminado, e porque nem todos os atributos que tornam o bem imobiliário funcional e confortável estão fixos ao imóvel, há ainda que acrescentar ou o dotar com energia eléctrica, com água canalizada com telefone e, cada vez mais, com internet. Passado este conjunto de actividades, com um enorme número de intervenientes, vamos então poder usá-lo. Vamos desfrutar do Imobiliário.

No entanto, a existência do factor tempo (que tem como consequência que as características de um determinado bem se tendem a alterar com o passar dos anos), implica a aparição de mais intervenientes neste processo do imobiliário. Há que haver quem limpe, quem mantenha, quem altere e quem adapte a novas necessidades de novos utilizadores, de novos estilos de vida. E quando, por mais que se queira, já não for possível melhorar e adaptar o que foi concebido há não sei quanto tempo pelo tal promotor, então recomeçamos tudo de novo. Demolimos e recomeçamos todo o processo.

O imobiliário é pois criado, quer com a intervenção de muitas especialidades, quer devido à interferência, directa ou indirecta, consciente ou inconsciente, de muita gente. Dessas actividades, técnicas e profissionais no e para o imobiliário, falaremos a espaços e ao longo deste blogue.

O imobiliário, para cumprir a sua função deve, apesar da 'confusão' da sua criação, corresponder, num determinado momento, às aspirações dum mercado.

E está aqui a arte do imobiliário - a de através de um conjunto de regras garantir essa satisfação, dum determinado mercado, num determinado período do tempo. E para isso, é preciso saber traduzir as aspirações de um mercado em 'produtos imobiliários'. E para isso, é preciso arte. É preciso saber criar.


Fonte: “O Valor do Imobiliário”, Miguel D. Costa, Almedina