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sábado, 3 de fevereiro de 2018

LIVROS-“Edifícios de Habitação - Caracterização e Estimação Técnico-Económica"

Esta obra é um longo trabalho de investigação, neste caso com o mérito de resultados e aplicação prática profissional imediata na determinação percentual das rubricas mais genéricas dos custos de construção por tipo de edifício, diferenciada em número de pisos e forma estrutural. 

Um trabalho de uma utilidade prática notável, ainda hoje profusamente utilizado pela maioria dos avaliadores e disseminado a partir de formulários de preenchimento obrigatório, distribuídos pelas direcções de avaliação patrimonial bancárias.Muitos o utilizarão sob a forma de excel, poucos conhecerão o trabalho donde tais quadros são oriundos.

Na estrutura de custos, por tipos de trabalhos o autor decompõe por elementos padrão os diferentes trabalhos previstos numa edificação, numa longa amostra de múltiplos projectos,  segundo critérios previamente definidos com vista à homogeneização de dados. Saneia a amostra por meio da estatística descritiva e recorre exaustivamente  à regressão linear simples para encontrar relações de custo por número de pisos em elementos de obra previamente desagregados, por grupos de elementos, por tipos estruturais e por grandes grupos como toscos e acabamentos. Procede à análise de resultados observando parâmetros da inferência estatística.

Dedica ainda um capítulo à explanação de metodologias correntes para garantia da Qualidade na indústria de construção civil.


Curioso para nós, porque “conivente” com parte do nosso trabalho, é o facto de Bezelga ter procurado  uma relação entre Custo e  Qualidade e ter constatado que, citamos: “- os ensaios de regressão linear sobre Q revelaram relações fracas (o valor máximo para o coeficiente de correlação r foi obtido para a variável 16 - «Revestimentos finais exteriores» , com  r2=0,143.”.

Um baixíssimo coeficiente de determinação. Contudo o autor atribui esse  facto às médias amostrais nesse grupo (revestimentos) serem  de Qualidade semelhante.  Registamos que nas conclusões finais o autor abandona quaisquer considerações sobre Qualidade. Pensamos que em consequência  das muitas regressões feitas sem que tenha encontrado nexo de causalidade.

Constata-se que na definição das percentagens finais das respectivas estruturas de custos, Bezelga apresenta propostas de diferenciação quanto ao número de pisos, quanto ao tipo de uso e quanto ao tipo estrutural, mas nunca diferenciadas na  repartição de custos por qualquer ideia de constatação prévia de Qualidade.

Sublinhamos estas anotações sobre Qualidade pela coincidência que constatámos em idênticas ocorrências em parte do trabalho que desenvolvemos "O CIMI Face à Inferência Estatistica". Onde reforçámos  a  convicção que produzimos sobre a fraca correlação do valor de mercado com a Qualidade.

Bezelga repete a metodologia para estimação de quantidades de aço, betão e cofragem por m² e por m³, em estruturas tipificadas. No último módulo propõe métodos de avaliação da Qualidade na fase de projecto e de gestão dos processos do  ambiente interior e exterior de produção na fase de execução. Refere os métodos Sel, Qualitel e Consistência Útil para projectos de edifícios de habitação e propõe o controle estatístico em acções e planos separados da produção, para gestão da Qualidade em execução de obra.

- Artur Adriano Alves Bezelga; 1984; “Edifícios de Habitação - Caracterização e Estimação Técnico-Económica.”
Palavras-Chave: Estruturas de Custos; Quantidades; Qualidade 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

VARIANTES DO MÉTODO DO CUSTO


Uma outra variante do “Método do Custo” é o “Método do Valor Residual” ou “Método Involutivo”.

O “Método do Valor Residual” é um caso particular do “Método do Custo” pois considera no seu processo de cálculo todos os custos e receitas envolvidos na execução do empreendimento imobiliário.Este método aplica-se na estimativa de valor de bens imobiliários com um valor potencial, ou seja, cujo valor poderá ser substancialmente superior se forem investidos capitais de modo a promover a sua alteração ou ampliação.

Nesse sentido, este método aplica-se correntemente na estimação do valor de: 
a) propriedades que irão ser objecto de obras de beneficiação (alteração, ampliação ou outras) e de que se pretende conhecer o valor, no estado físico em que se encontram; 
b) terrenos.

A estimação do valor das propriedades referidas  na alínea a), com recurso a este método envolve os seguintes passos: 
1. Estimação do valor comercial presumível actual da propriedade, após as alterações ou ampliações a promover. 
2. Estimação dos custos dos trabalhos e de outras despesas necessárias para a realização das alterações ou ampliações. 
3. Dedução ao valor comercial presumível estimado em 1, dos custos referidos na alínea anterior.


No que se refere ao “valor residual ou remanescente” de um terreno, de acordo com este método é Calculado no pressuposto de ao mesmo estar associada uma quota-parte de responsabilidade na formação do valor do empreendimento acabado e isto porque nas operações de investimento imobiliário o terreno não é um produto final, mas antes um factor de produção e por conseguinte terá direito a uma remuneração compatível com a sua quota-parte no produto final. 

sábado, 4 de agosto de 2012

MÉTODO SEL


Com origem na Suiça em 1974, tem a potencialidade de acompanhar a evolução das exigências funcionais, com a evolução das necessidades dos utentes, reflectidas na avaliação periódica das ponderações de importância atribuída a cada critério exigencial.

Simplificado em 2003, passando de 66 para 39 critérios, valoriza agora mais as necessidades actuais e exigências dos utilizadores, avaliando-se a habitabilidade numa hierarquia de objectivos como a seguir se indica.

ATRIBUTOS CARACTERIZADORES DO VALOR DE UM IMÓVEL      
                   
Critérios de Avaliação do Método SEL            
Critérios de Avaliação Pontos Ponderação Pontos Valor
            Ponderados  
B1 Área habitável       3    
B2 Número de compartimentos 3
B3 Flexibilidade de utilização     3    
B4 Paredes mobiláveis nos  espaços comuns 3
B5 Janelas nos espaços comuns     2    
W1 B6 Localização da zona para refeições 2
B7 Mobiliário na zona de refeições     2    
HABITAÇÃO B8 Ligação cozinha - zona de refeições   2    
B9 Janela na cozinha       1    
B10 Equipamento sanitário 1
B11 Janelas nas instalações sanitárias   1    
B12 Possibilidades arranjos dos espaços 4
B13 Espaços modulares       2    
B14 Possibilidade de reorganização 2
B15 Facilidades de circulação     2    
B16 Espaços exteriores privados     3    
Ponderação total         36    
  Valor de Utilização W1     (Pontos ponderados W1)/36  
B17 Oferta de habitação       2    
B18 Locais suplementares para alugar   3    
B19 Modificação da dimensão da habitação 2
B20 Acessibilidade à habitação     2    
B21 Entrada do imóvel       2    
W2 B22 Lavandaria e secagem de roupa     3    
B23 Locais de arrumo privados 2
MEIO B24 Locais de arrumos comuns         1    
EXTERIOR B25 Locais comuns polivalentes 1
ENVOLVENTE B26 Espaços comuns exteriores     4    
B27 Acesso por peões e ciclistas 2
B28 Lugares de estacionamento para automóveis 1    
B29 Transição do espaço público para o privado 1
B30 Poluição sonora e protecção contra o ruído 2    
Ponderação total         28    
  Valor de Utilização W2     (Pontos ponderados W2)/28  
B31 Local de jogos no quarteirão 3
B32 Parque público ou floresta     2    
W3 B33 Transportes públicos       8    
B34 Proximidade do centro 8
LOCAL B35 Jardim de infância e escola primária   3    
DE B36 Escola secundária       1    
IMPLANTAÇÃO B37 Equipamento de serviços sociais 1
B38 Zona de recreio e lazer     3    
B39 Centro regional       7    
Ponderação total         36    
Valor de Utilização W3 (Pontos ponderados W3)/36
Valor de Utilização W1+W2       (Pontos ponderados W1+W2)/34  
Valor de Utilização W1+W2+W3       (Pontos Ponderados W1+W2+W3)/100


requisitos, ou exigências mínimas, que são:

 M1 – áreas líquidas mínimas
 M2 – área bruta da habitação e programa de espaços previsto
 M3 – equipamento da cozinha e instalações sanitárias
 M4 – isolamento térmico e acústico regulamentar
 M5 – habitações adequadas a pessoas idosas e deficientes

Ultrapassada esta primeira fase, os 39 critérios de Avaliação são avaliados (numa escala de 1 a 3 – em alguns critérios com intervalo de meio ponto), com recurso a listas escalonadas de exigências (quadros de comparação com situações tipo) ou a funções de transformação (via gráfica).

A determinação do Valor de Utilização é efectuada, finalmente pela soma, dos produtos individuais da nota de cada critério pelo valor da ponderação correspondente, sendo a classificação final do empreendimento dada por.

                           39
            Vu =   Σ  ni x Pi/Σ Pi
                          i = 1

Vu = Valor de utilização
ni = Nota de cada critério
Pi = Ponderação correspondente

A ponderação é feita com a distribuição sucessiva de um dado número de pontos pelos elementos da hierarquia de objectivos que se encontram subordinados a um nível superior, sendo a ponderação final de cada critério o produto sucessivo da pontuação de cada “ramo lógico” que o contém.

Metodologias de apreciação do tipo SEL e QUALITEL são muito frequente entre nós contemplando aspectos como a envolvente, o edifício, a habitação, qualidade de projectos e de execução. Talvez o melhor e mais completo exemplo seja  o Método FEUP/Moreira da Costa, em que a avaliação é efectuada com recurso a listas escalonadas de exigências, a quadros de dupla entrada, ou a funções de transformação prática. Neste caso a ponderação foi estabelecida a partir de inquéritos realizados a engenheiros e arquitectos, para os vários níveis da hierarquia dos atributos.


sábado, 28 de julho de 2012

PERFIL QUALITEL


A nota global de uma dada rubrica é sempre condicionada pelos pontos fracos parcelares dessa  rubrica, mesmo que as restantes sejam elevadas.

A síntese do valor da habitação é feita somente ao nível de cada rubrica, neste método não se obtém um valor global de utilização que resulte da contabilização das informações parcelares.

Cada utilizador pode assim, com base nas informações obtidas, e de acordo com os seus interesses e necessidades, fazer uma valorização relativa pessoal.

Este princípio é de grande interesse dando uma contribuição importante para a melhoria da qualidade das construções, uma vez que todos os aspectos são importantes, a qualidade de alguns aspectos não pode “camuflar” a falta ou menor qualidade de outros.


RUBRICAS
Perfil da Habitação
1
2
3
4
5
J - abastecimento de água/ peças sanitárias





K - electricidade





L - protecção contra os ruídos emitidos no interior do edifício





M - protecção contra os ruídos emitidos no exterior do edifício





P - conforto térmico de verão




Q - custo de manutenção de fachadas e coberturas





S- custo de aquecimento ambiente e de água sanitária





E acessibilidade (opcional)





F- revestimentos das circulações nas zonas comuns do edifício





G- possibilidade de instalação de equipamento doméstico





H- revestimentos de paredes de compartimentos húmidos





I- revestimentos de pavimentos





U- outros elementos influenciado os custos de exploração e manutenção






quinta-feira, 19 de julho de 2012

A APRECIAÇÃO - MÉTODO QUALITEL


Este método com origem em França, permite a avaliação da qualidade de um fogo individual, a partir da avaliação de cada rubrica (actualizadas em revisão temporária do método) através da sua subdivisão em sub-rubricas. Permite avaliar o nível de qualidade de uma faceta em particular da rubrica em análise.

A classificação de cada rubrica é obtida através da combinação das classificações das suas sub-rubricas.O resultado final é expresso sob a forma de um perfil de qualidade, o chamado “Perfil Qualitel”.

O peso de cada rubrica é valorizado segundo o critério, interesse e ou sensibilidade do utilizador.



Rubricas da Certificação -  Intervenção do Qualitel
Grelha da Cotação Qualitel
1
2
3
4
5





Conforto Acústico


No interior
 da habitação
Exame dos ruídos, aéreos (voz, música, televisão, etc.), dos ruídos transmitidos por meio sólido (choque de objectos, etc.), dos ruídos provocados pelos equipamentos e instalações próprias de cada edifício (sist. de aquecimento e ventilação), elevadores, descarga de águas, etc.).







OPÇÃO CONFORTO
ACÚSTICO

No Exterior
da habitação
Exame das fachadas e coberturas, em função da sua exposição aos ruídos, a escolha dos elementos da envolvente do edifício (janelas, caixas de estore, etc.)







Conforto Térmico

Conforto térmico de Inverno e consumo de energia
Avaliação das disposições construtivas utilizadas de modo a limitar os consumos energéticos em cada habitação (qualidade dos equipamentos de aquecimento ambiente, e regulação adequada, etc.)



OPÇÃO HPE
2000

Conforto térmico de verão
Exame em função da zona climática e da inércia do edifício, dos dispositivos de ventilação e sombreamento utilizados.




Qualidade
dos
Equipamentos


Abastecimento de águas e peças sanitárias
Exame dos desempenhos da produção de água quente, do nível de equipamento em aparelhos sanitários (função ao nível previsível de ocupantes), da qualidade do revestimento das paredes de compartimentos húmidas.



Electricidade
Exame da potência eléctrica disponível em cada habitação de tomadas e pontos de luz nos vários compartimentos.



Durabilidade de
Fachadas e Coberturas
Avaliação realizada em função da durabilidade dos materiais e equipamentos, bem como da natureza das intervenções periódicas de manutenção.



Acessibilidade


Rubrica Opcional
Avaliação das disposições arquitectónicas e construtivas adoptadas de modo a facilitar a acessibilidade das pessoas a pelo menos 20% das habitações do edifício.




OPÇÃO ACESSIBILIDADE